Padrões alimentares e (in)segurança alimentar e nutricional no Programa Bolsa Família

Palavras-chave: Políticas públicas, Renda familiar, Hábitos alimentares, Saúde pública, População carente.

Resumo

O Programa Bolsa Família (PBF) apresenta diversos efeitos na população com riscos e vulnerabilidades sociais, principalmente em relação à alimentação, educação e saúde. O objetivo foi identificar padrões alimentares de famílias beneficiárias ou não do PBF em município paulista, analisando sua associação com níveis de insegurança alimentar (IA). O estudo incluiu 150 famílias. Aspectos socioeconômicos, demográficos, antropométricos e de consumo alimentar foram avaliados por meio de questionários validados. A IA foi avaliada pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA). Os padrões alimentares foram calculados utilizando a análise de Cluster. A associação entre a IA e o PBF com padrões alimentares foi testada utilizando o modelo de regressão de Poisson. Foram identificados três padrões alimentares: restrito, saudável e tradicional. O padrão restrito foi associado com menor escolaridade, histórico de anemia, IA moderada (IAM) ou IA grave (IAG) e maior idade média. Na análise não ajustada e ajustada para idade, as famílias com IAM ou IAG foram, respectivamente, 55% e 57% mais propensas a aderir um padrão restrito e 41% menos propensas a seguir um padrão saudável. Ter um padrão saudável ou tradicional foi relacionado à origem dessa população, revelando um elemento importante dentro do conceito de SAN: a soberania alimentar.

Biografia do Autor

Daiane Roncato Cardozo, Universidade de Araraquara - UNIARA

PhD em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente pela Universidade de Araraquara (UNIARA). Doutora em Alimentos e Nutrição pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Professora colaboradora do PPG em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente da UNIARA. 

Sinara Laurini Rossato, Universidade Estadual Paulista - UNESP, Faculdade de Medicina de Botucatu.

Pós-doutora em Epidemiologia Nutricional na Universidade de Harvard. Doutora em Epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Pesquisadora visitante do Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública de Harvard. Professora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). 

Vera Mariza Henriques de Miranda Costa, Universidade de Araraquara - UNIARA

Livre-docente em Economia Brasileira e doutora em Economia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Docente do Programa de Mestrado Profissional em Engenharia de Produção da Universidade de Araraquara (UNIARA). 

Maria Rita Marques de Oliveira, Universidade Estadual Paulista - UNESP, Faculdade de Medicina de Botucatu.

Doutora em Ciência dos Alimentos pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Alimentos e Nutrição pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Docente e pesquisadora do Departamento de Educação da Faculdade de Medicina da UNESP de Botucatu. 

Luiz Manoel de Moraes Camargo Almeida, Universidade Federal de São Carlos - UFSCar

Pós-doutor pela FEAGRI-UNICAMP na área de Políticas Públicas e Desenvolvimento Rural. Doutor em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Docente e pesquisador da UFSCAr, Campus Lagoa do Sino, Buri. Diretor do Centro de Ciências da Natureza. 

Vera Lúcia Silveira Botta Ferrante, Universidade de Araraquara - UNIARA

Pós-Doutora pelo Instituto de Investigações Sociais da Universidade Nacional do México (UNAM). Doutora em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente. 

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Publicado
2019-11-29