Intervenção de arquitetura para uma escola Guarani: processo de projeto e apropriação de ambientes educativos na Tekoa Itaty, SC

Palavras-chave: arquitetura e urbanismo, educação escolar indígena, ambientes escolares, lugares de aprendizagem, Guarani

Resumo

Neste artigo, refletimos sobre intervenções arquitetônicas realizadas em comunidades indígenas e as consequentes alterações que podem surgir na organização socioespacial dos assentamentos. Analisamos a intervenção arquitetônica realizada para a Escola Itaty (Palhoça, SC) e as transformações espaciais desencadeadas na ocupação do território, identificando, ainda, como os modos próprios de educar dos Guarani revelam a apropriação pela comunidade e a expansão da educação escolar para outros lugares de aprendizagem. Como procedimentos metodológicos, recorremos a estratégias do método etnográfico, realizando observações, interlocuções, grupos focais, registro fotográfico, levantamento documental, entre outros, e embasando as análises em referenciais teóricos multidisciplinares.

Biografia do Autor

Nauíra Zanardo Zanin, Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)

Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na linha de Edificações e Comunidades Sustentáveis. Arquiteta e urbanista pela mesma universidade. Professora adjunta do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Campus Erechim, RS. Integrante do NAUI Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural (NAUI/UFSC) e pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Brasil Plural (IBP).

Alicia Norma González de Castells, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Pós-doutora pela Facultad de Filosofia y Letras da Universidade de Buenos Aires (UBA). Doutora interdisciplinar em Ciências Humanas e mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Nacional de La Plata, Argentina. Professora titular da UFSC. Professora dos Programas de Pós-Graduação em Antropologia Social e de Arquitetura e Urbanismo da UFSC. Coordenadora do NAUI Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural (www.naui.ufsc.br). Sócia da Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Integrante do Comitê de Patrimônios e Museus da ABA. Pesquisadora do Instituto Brasil Plural (IBP).

Referências

ALTINI, E. et al. (Org.).manifesto sobre a educação escolar indígena no Brasil. Brasília: CIMI, 2014. Disponível em:https://cimi.org.br/wp-content/uploads/2017/11/Manifesto_EducacaoEscolarIndigena.pdf. Acesso em: 31 dez. 2014.

ANDRÉ, M. E. D. A. Etnografia da prática escolar. 18. ed. Campinas, SP: Papirus, 2012.

ANTUNES, E. Nhandereko nhanhembo'e nhembo' ea py. Sistema nacional de educação: um paradoxo do currículo diferenciado das escolas indígenas guarani da Grande Florianópolis. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica) - Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, 2015.

ATTANÉ, A.; LANGEWIESCHE, K. Reflexões metodológicas sobre os usos da fotografia na antropologia. Cadernos de Antropologia e Imagem, Rio de Janeiro, v. 21, n. 2, p. 133-51, 2005.

BENITES, S. Nhe’ẽ, reko porã rã: nhemboea oexakarẽ. Fundamento da pessoa guarani, nosso bem-estar futuro (educação tradicional): o olhar distorcido da escola. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica) - Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2015.

BERGAMASCHI, M. A. Indianizando a escola: movimentos de criação de práticas escolares diferenciadas nas aldeias Guarani e Kaingang. In: REUNIÃO DE ANTROPOLOGIA DO MERCOSUL, 7., 2007.Trabalho apresentado [...]. Porto Alegre: UFRGS, 2007.

BERGAMASCHI, M. A. Nhembo’e: enquanto o encanto permanece! Processos e práticas de escolarização nas aldeias Guarani. 2005. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005.

BONDÍA, J. L. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação [on-line], Rio de Janeiro, n. 19, p. 20-8, jan./abr. 2002.

BORGES, L. C. Os Guarani Mbyá e a categoria tempo. Revista Tellus, Campo Grande, MS, ano 2, n. 2, p. 105-22, abr. 2002.

BRAND, A. J.; CALDERONI, V. A. M. O. Território e saberes tradicionais: articulações possíveis no espaço escolar indígena. Práxis Educativa (Brasil), Ponta Grossa, PR, v. 7, p. 133-53, dez. 2012. Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=89425835007. Acesso em: 31 dez. 2014.

BRASIL. Ministério da Educação. Plano Nacional de Educação. Brasília: Inep, 2014.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica. Resolução n. 5, de 22 de junho de 2012. Define Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena na Educação Básica. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=11074-rceb005-12-pdf&category_slug=junho-2012-pdf&Itemid=30192. Acesso em: 25 jun. 2020.

BRASIL. Ministério da Educação. Educação escolar indígena: diversidade sociocultural indígena ressignificando a escola. Brasília, DF, 2007. (Cadernos SECAD/MEC 3).

BRASIL. Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica. Resolução n. 3, de 10 de novembro de 1999. Fixa as Diretrizes Nacionais para o funcionamento das escolas indígenas e dá outras providências. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CEB0399.pdf. Acesso em: 25 jun. 2020.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Centro Gráfico, 1988.

CARVALHO, B. M. Intervenções habitacionais em comunidades tradicionais: uma solução ou um problema? In: ENCONTROS NACIONAIS DA ANPUR, 15., 2013. Anais[...].Disponível em: http://anais.anpur.org.br/index.php/anaisenanpur/article/view/388. Acesso em: 25 jun. 2020.

ELALI, G.A. Psicologia e Arquitetura: em busca do locus interdisciplinar. Estudos de Psicologia,Natal, RN, v. 2,n. 2, p. 349-62, jul./dez., 1997.

FARIA FILHO, L. M. O espaço escolar como objeto da história da educação: algumas reflexões. Revista da Faculdade de Educação/USP, São Paulo, v. 24, n. 1, p. 141-59, jan./jun. 1998. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rfe/article/download/59619/62716. Acesso em: 10 jan. 2017.

FERRARA, L. D. Leitura sem palavras. São Paulo: Ática, 1997.

FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução Raquel Ramalhete. Petrópolis, RJ: Vozes, 1987.

FRAGO, A. V. Do espaço escolar e da escola como lugar: propostas e questões. In: FRAGO, A. V.; ESCOLANO, A. Currículo, espaço e subjetividade: a arquitetura como programa. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.

FUÃO, F. F. As formas do acolhimento na arquitetura. In: FUÃO, F. F.; SOLIS, D. E. (Org.). Derrida e a arquitetura. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2014, p. 41-113.

GIFFORD, R. Environmental psychology: principles and practices. 2.ed.Boston: Allyn and Bacon, 1997.

GOERGEN, P. Espaço e tempo na escola: constatações e expectativas. In: FÓRUM PERMANENTE DE DESAFIOS DO MAGISTÉRIO, abr. 2005. Anais [...].Campinas, 2005.

GONDIM, S. M. G. Grupos focais como técnica de investigação qualitativa: desafios metodológicos. Paidéia, Ribeirão Preto, SP, v. 12, n. 24, p. 149-61, 2003.

GÜNTHER, H.; ELALI, G. A.; PINHEIRO, J. A abordagem multimétodos em Estudos Pessoa-Ambiente: características, definições e implicações. Brasília: LPA: Instituto de Psicologia: UNB, 2004. (Série: Textos de Psicologia Ambiental, n. 23).

INGOLD, T. Estar vivo: ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.

INGOLD, T. Da transmissão de representações à educação da atenção. Educação, Porto Alegre, v. 33, n. 1, p. 6-25, jan./abr. 2010.

INGOLD, T. The perception of the environment: essays on livelihood, dwelling and skill. London: Routledge, 2000.

KRINSKY, C. H. Contemporary Native American architecture: cultural regeneration and creativity. New York: Oxford University Press, 1996.

LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. E. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 2012.

MALNAR, J. M.; VODVARKA, F. New architecture on indigenous lands. Minneapolis: University of Minnesota, 2013.

MBYÁ Guarani - Guerreiros da Liberdade. Documentário. Direção: Charles Cesconetto, 2004, 55 minutos.

MINAYO, M.C.S. Trabalho de campo: contexto de observação, interação e descoberta. In: MINAYO, M.C.S. (Org.); DESLANDES, S.F.; GOMES, R. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015. p. 61-78. (Coleção Temas Sociais).

OLIVEIRA, R. C. O trabalho do antropólogo: olhar, ouvir, escrever. In: OLIVEIRA, R. C. O trabalho do antropólogo. Brasília: Paralelo Quinze; São Paulo: Editora da Unesp, 1998. p. 17-35.

POL, E. La apropiación del espacio. In: INIGUEZ, Lupicínio; POL, Enric (Org.). Cognición, representación y apropiación del espacio. Barcelona: Universitat Barcelona Publicacions, 1996. p. 45-60.

RAPOPORT, A. Cultura, arquitectura y diseño. Barcelona: Edicions UPC, 2003. (Coleção Arquitectonics. Mind, Land & Society).

RAPOPORT, A. Development, culture change and supportive design. Habitat International,[S.l.], v. 7, n 5/6, p. 249-68, 1983.

RAPOPORT, A. Hechos y modelos. In: BROADBENT, G. Metodología del diseño arquitectónico. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 1971. p. 297-323.

RICHARDSON, R. J. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1985.

SÁ, C. Projetos arquitetônicos para comunidades indígenas. In: Vivienda rural y calidad de vida en los asentamientos rurales. Memoria del IV Seminario Iberoamericano. Red XIV- E. Puerto Montt, CH: CYTED/HABYTED,2002.

SANTOS, S. C. Organização e atividades de assistência governamental aos índios. In: SANTOS, S. C. Educação e sociedades tribais. Porto Alegre: Movimento, 1975. p. 38-51.

SILVA, B. S. Arrematando o bordado, a escola indígena diferenciada. In: Seminário Infância Criança Indígena, 2., 2014. Anais [...]. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos, 2014. Disponível em: https://infanciaindigena.files.wordpress.com/2014/10/arrematando-o-bordado-a-escola-indc3adgena-diferenciada-beatriz-sales-da-silva.pdf. Acesso em: 11 mar. 2015.

TASSINARI, A. M. I. A educação escolar indígena no contexto da antropologia brasileira. Ilha Revista de Antropologia, Florianópolis, v. 10, n. 1, p. 217-44, ago. 2008.

TASSINARI, A. M. I. Escola indígena: novos horizontes teóricos, novas fronteiras da educação. In: SILVA, A. L.; FERREIRA, M. K. L. (Org.). Antropologia, história e educação: a questão indígena e a escola. São Paulo: Global, 2001.

UNWIN, S. A análise da arquitetura. Tradução técnica Alexandre Salvaterra. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.

ZANIN, N. Z. Dinâmicas culturais indígenas e suas relações com lugares de identificação. Cadernos NAUI, Florianópolis, v. 5, n. 8, p. 1-24, jan./jun. 2016.

ZANIN, N. Z. Abrigo na natureza: construção Mbyá-Guarani, sustentabilidade e intervenções externas. 2006. Dissertação (Mestrado em Engenharia) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006.

Publicado
2020-09-16