Interculturalidade e infância indígena no contexto urbano: concepções de um grupo de professoras da Educação Infantil
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Palavras-chave

interculturalidade
formação continuada de professores
infância indígena
Kaiowá e Guarani
Mato Grosso do Sul
Naviraí

Como Citar

SCHLINDWEIN SANTINO, Fernando; TEODORO CIRÍACO, Klinger; HENRIQUE PRADO , José. Interculturalidade e infância indígena no contexto urbano: concepções de um grupo de professoras da Educação Infantil. Interações , Campo Grande, v. 22, n. 2, p. 653–669, 2021. Disponível em: https://interacoes.ucdb.br/interacoes/article/view/3019. Acesso em: 9 mar. 2026.

Resumo

Este artigo objetiva relatar as experiências vivenciadas e os estudos realizados na primeira etapa do projeto de extensão Infância, Interculturalidade e Etnomatemática na Educação Infantil: o atendimento à criança indígena, promovido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campus de Naviraí, no ano de 2018. Elegeram-se como referenciais teóricos: documentos e produções científicas sobre os temas da Interculturalidade na educação e elementos da história e da cultura das etnias Kaiowá e Guarani que vivem em Mato Grosso do Sul (MS). A produção de dados parte de informações obtidas via respostas de um questionário, com questões abertas e fechadas, desenvolvido junto a um grupo de professoras da rede municipal de educação local, as quais foram público-alvo da ação extensionista. As informações coligidas inicialmente por este instrumento permitiram fazer inferências tanto quantitativas quanto qualitativas. No contexto dos encontros do curso, foi possível evidenciar dados para a compreensão, especificamente, sobre processos comportamentais e relacionais entre professoras e as crianças indígenas matriculadas na Educação Infantil. As informações obtidas e apresentadas neste artigo detalham impressões de um ambiente intercultural, exercício reflexivo à questão do atendimento de crianças indígenas no contexto educacional urbano. Diante dos dados e resultados da experiência em pauta, concluímos em defesa da necessidade de investimentos em estudos aprofundados na questão e levantamos a importância de considerar a cultura híbrida como um caminho para não aculturação da infância indígena.

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