Todo mundo é igual? Construções de gênero sob o olhar da juventude

Palavras-chave: Gênero, Juventude, Escola

Resumo

A escola pode revelar, entre outras coisas, situações e procedimentos pedagógicos e curriculares relacionados à produção de diferenças e distinções sociais que interfiram na formação e na produção social do desempenho escolar. A Educação de Jovens e Adultos é um sistema de ensino da rede pública no Brasil que oportuniza àqueles que não tiveram acesso à escola quando ainda eram crianças, seja qual for o motivo, que se alfabetizem, obtendo assim o que é um direito à cidadania. O presente artigo é resultado de uma investigação que objetivou analisar construções de gênero na juventude a partir das percepções de alunas(os) da modalidade de ensino Educação de Jovens e Adultos. Foram expostas publicações da rede social Facebook, com a temática “gênero”, a estudantes com idades entre 15 e 29 anos de uma escola municipal da região metropolitana do Rio Grande do Sul. Para tanto, foram organizados cinco grupos focais, nos quais se buscou analisar as construções sociais de gênero, na perspectiva das(dos) jovens, a partir do método da análise temática. Os principais resultados revelam como as construções de gênero apresentam-se de forma plural para as(os) jovens na sociedade atual, até mesmo em função de terem vivências diferentes de vida.

Biografia do Autor

Caroline Gonçalves Nascimento, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

Doutoranda e mestra em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Psicóloga pela Universidade La Salle. Integrante do Grupo de Pesquisa Preconceito, Vulnerabilidade e Processos Psicossociais (PVPP/PUCRS).

Millena Holz Waskow, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

Graduanda em Psicologia na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Colaboradora do Grupo de Pesquisa Preconceito, Vulnerabilidade e Processos Psicossociais (PVPP/PUCRS).

Marlene Neves Strey, Universidade Feevale

Doutora em Psicologia pela Universidad Autónoma de Madrid. Psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Professora do Mestrado Acadêmico em Psicologia na Universidade Feevale.

Ângelo Brandelli Costa, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

Doutor em Psicologia e psicólogo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Coordenador do Grupo de Pesquisa Preconceito, Vulnerabilidade e Processos Psicossociais (PVPP/PUCRS) e conselheiro titular do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul (CRPRS).

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Publicado
2021-06-02