Resumo
Este artigo analisa evidências empíricas do processo de emancipação do grupo de produtores rurais "Germinar", localizado em Canguçu (RS), a partir das perspectivas teóricas de Boaventura de Sousa Santos e Paulo Freire. A história oral foi adotada como estratégia metodológica, utilizando-se entrevistas e observação não participante como técnicas de coleta de dados. Os dados foram examinados por meio da técnica de análise de conteúdo, fundamentada em categorias emancipatórias, como a ecologia dos saberes, o diálogo e a conscientização crítica, destacando a valorização dos conhecimentos tradicionais e técnicos em um processo dialógico e participativo. Os resultados evidenciam avanços na autonomia dos produtores, bem como desafios relacionados à participação coletiva. A trajetória do grupo reflete o potencial emancipatório dessas práticas, ao integrar saberes populares e científicos. Ao promover a autonomia dos produtores, o grupo se insere em um processo mais amplo de transformação social, consolidando-se como uma alternativa ao modelo capitalista predominante e como uma forma de resistência. O estudo sugere que a transição para práticas agroecológicas e a economia solidária podem constituir-se como alternativas viáveis e emancipadoras ao modelo capitalista, promovendo maior autonomia para grupos de agricultores familiares.
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