Quilombolas e recursos florestais medicinais no sul da Bahia, Brasil

  • Renata dos Santos Mota
  • Henrique Machado Dias
Palavras-chave: Etnobotânica. Comunidades tradicionais. Interdisciplinaridade.

Resumo

Buscou-se interpretar o conhecimento tradicional de uma comunidade quilombola acerca do uso de espécies vegetais com fins terapêuticos. Adotaram-se entrevistas semiestruturadas e análise de discurso para sua interpretação. Identificaram-se no herbário 57 espécies com fins medicinais. Conclui-se que o conhecimento é imprescindível para manutenção sociocultural dessa comunidade vulnerável e como forma de geração de trabalho e renda à luz do desenvolvimento sustentável local.

Referências

ABREU, E. L. B. Políticas Públicas culturais nas Comunidades quilombolas do extremo sul da Bahia em questão. Segmentos, Teixeira de Freitas, v. 1, n. 1, p. 15-27, 2007.

ALBUQUERQUE, U. P. Introdução a Etnobotânica. Rio de Janeiro: Interciência, 2005.

ALENCAR, E.; GOMES, M. A. O. Metodologia de pesquisa social e diagnóstico rápido participativo. Lavras: UFLA/ FAEPE, 1998.

ALEXIADES, M. N. Selected guidelines for Ethnobotanical research: a fi eld manual. New York: The New York Botanical Garden, 1996.

ALMEIDA, M. Z. Plantas medicinais. 2. ed. Salvador: EDUFBA, 2003. 150 p.

ALVES, R. N. et al. Utilização e comércio de plantas medicinais em Campina Grande, PB, Brasil. Revista Eletrônica de Farmácia, Goiânia, v. 4, n. 2, p. 175-198, 2007.

AMOROZO, M. C. M. Uso e diversidade de plantas medicinais em Santo Antonio de Leveger, MT, Brasil. Acta Botanica Brasilica, Rio de Janeiro, v. 16, n. 2, p. 189-203, 2002.

AMOROZO, M. C. M. A abordagem etnobotânica na pesquisa de plantas medicinais. In: DI STASI, L. C. (Org.). Plantas medicinais: arte e ciência - um guia de estudo interdisciplinar. São Paulo: EDUSP, 1996. p. 47-68.

BASTOS, M. N. C. A importância das formações vegetais da restinga e do manguezal para as comunidades pesqueiras. Boletim Museu Paraense Emílio Goeldi, ser. Antropologia, Belém, v. 11, n. 1, p. 41-56, 1995.

BORGES, M. C. Da observação participante à participação observante: uma experiência de pesquisa qualitativa. In: RAMIRES, J. C. L.; PESSÔA, V. L. S. (Orgs.). Geografi a e pesquisa qualitativa nas trilhas da investigação Uberlândia: Assis, 2009. p. 183-198.

BUENO, A. R. et al. Medicinal Plants used by the Kaiowá and Guarani ingigenous populations in the Caarapó Reserve, Mato Grosso do Sul, Brazil. Acta Botanica Brasilica, Rio de Janeiro, v. 19, n. 1, p. 39-44, 2005.

BRASIL. Ministério da Saúde. Proposta de política nacional de plantas medicinais e medicamentos fi totérapicos. Brasília, DF, 2001.

BARROSO, R. M.; REIS, A.; HANAZAKI, N. Etnoecologia e etnobotânica da palmeira juçara (Euterpe edulis Martius) em comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, São Paulo. Acta Botanica Brasilica, Rio de Janeiro, v. 24, n. 2, p. 518-528, 2010.

CARVALHO, N. D.; SOUZA, M. M. O. A pesquisa participante no contexto da geografi a agrária: pressupostos teóricos e possibilidades práticas. In: RAMIRES, J. C. L.; PESSÔA, V. L. S. (Orgs.). Geografi a e pesquisa qualitativa nas trilhas da investigação. Uberlândia: Assis, 2000. p. 139-161.

CHRISTO, A. G.; GUEDES-BRUNI, R. R.; FONSECAKRUEL, V. S. Uso de recursos vegetais em comunidades rurais limítrofes à reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro: estudo de caso na Gleba Aldeia Velha. Rodriguesia, Rio de Janeiro, v. 57, n. 3, p.519-542, 2006.

COTTON, C. M. Etnobotany: principles and aplications. New York: J. Wiley, 1996. 320 p.

DI STASI, L. C. Plantas medicinais: arte e ciência. Um guia de estudo Interdisciplinar. São Paulo: UNESP, 1996. 31p.

DIEGUES, A. C. Ecologia humana e planejamento costeiro 2. ed. São Paulo: NUPAUB, USP, 2001. FONSECA-KRUEL, V. S.; PEIXOTO, A. L. Etnobotânica da reserva extrativista marinha de Arraial do Cabo, RJ, Brasil. Acta Botanica Brasilica, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 177-190, 2004.

FOREY, P.; LINDSAY, R. Plantas medicinais. Lisboa: Atlantis Publications, 1997. INTERAÇÕES, Campo Grande, v. 13, n. 2, p. 151-159, jul./dez. 2012. Quilombolas e recursos fl orestais medicinais no sul da Bahia, Brasil 159

FRANCISCHI, J. N. et al. A farmacologia em nossa vida. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005.

FRANCO, E. A. P.; BARROS, R. F. M. Uso e diversidade de plantas medicinais no quilombo Olho D’água dos Pires, Esperantina, Piauí. Revista Brasileira Plantas Medicinais, Botucatu, v. 8, n. 3, p. 78-88, 2006.

GONÇALVES, M. I. A.; MARTINS, D. T. O. Plantas medicinais usadas pela população do município de Santo Antônio de Leverger, Mato Grosso, Brasil. Revista Brasileira Farmacognosia, Rio de Janeiro, v. 79, n. 3/4, p. 56-61, 1998.

GOTTILIEB, O. R.; KAPLAN, M. A. C.; BORIM, M. R. M. B. Biodiversidade. Um enfoque químico-biológico. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1996.

IBGE (Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística). IBGE cidades. Nova Viçosa, 2010. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/cidades>. Acesso em: 15 set. 2011.

JORGE, S. S. A.; MORAIS, R. G. Etnobotânica de plantas medicinais. In: COELHO, M. F. B. et al. (Org.). Diversos olhares em etnobiologia, etnoecologia e plantas medicinais. Anais do Seminário de Etnobiologia, Etnoecologia, Cuiabá: Unicem, 2003. p. 89-98.

MAIOLI-AZEVEDO, V.; FONSECA-KRUEL, V. S. Plantas medicinais e ritualísticas vendidas em feiras livres no município do Rio de Janeiro, RJ, Brasil: estudo de caso nas zonas Norte e Sul. Acta Botanica Brasilica, Rio de Janeiro, v. 21, n. 2, p. 263-275, 2007.

MONTELES, R.; PINHEIRO, C. U. B. Plantas medicinais em um quilombo maranhense: uma perspectiva etnobotânica. Revista de Biologia e Ciências da Terra, João

Pessoa, v. 7, n. 2, 2007. MORAIS, S. L. et al. Plantas medicinais usadas pelos índios Tapebas do Ceará. Revista Brasileira Farmacognosia, Rio de Janeiro, v. 15, n. 2, p. 169-177, 2005.

PASA, M. C.; SOARES, J. J.; NETO; G. G. Estudo Etnobotânico na comunidade de Conceição-Açu (alto da bacia do rio Aricá Açu, MT, Brasil). Acta Botanica Brasilica, Rio de Janeiro, v. 19, n. 2, p. 195-207, 2005.

PEREIRA, L. A. et al. Plantas Medicinais de uma comunidade quilombola na Amazônia Oriental: Aspectos utilitários de espécies das famílias Piperaceae e Solanaceae. Revista Brasileira de Agroecologia, Porto Alegre, v. 2, n. 2, 2007.

PILLA, M. A. C.; AMOROZO, M. C. L.; FURLAN, A. Obtenção e uso das plantas medicinais no distrito de Martim Francisco, Municipio de Mogi-Mirim, SP, Brasil. Acta Botanica Brasilica, Rio de Janeiro, v. 20, n. 4, p. 789-802, 2006.

PINTO, E. P. P.; AMOROSO. M. C. M.; FURLAN. A. Conhecimento popular sobre plantas medicinais em comunidades rurais de mata atlântica – Itacaré, BA, Brasil. Acta Botanica Brasilica, Rio de Janeiro, v. 20, n. 4, p. 751-762, 2006.

RODRIGUES, E.; CARLINI, E. A. Possíveis efeitos sobre o sistema nervoso central de plantas utilizadas por duas Culturas brasileiras (quilombolas e índios). Arquivos Brasileiros de Fitomedicina Cientifi ca, São Paulo, v. 11, n. 3, p. 147-154, 2003.

RODRIGUES, V. E. G., CARVALHO, D. A. Levantamento Etnobotânico de plantas medicinais no domínio do cerrado na região alto rio grande – Minas Gerais. Ciências Agrotecnicas, Lavras, v. 25, n. 1, p. 102-123, 2001.

RYLANDS, A. B.; BRANDON, K. Unidades de conservação brasileiras. Megadiversidade, Belo Horizonte, v. 1, n. 1, p. 27-35, 2005.

SAUER, C. O. A morfologia da paisagem. In: CORREA, R. L.; ROSENDAHL, Z. (Orgs.). Paisagem, tempo e cultura. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2004. p. 12-74.

SOARES, M. L. G. Ética e conservação da diversidade biológica. In: BARTHOLO, R.; RIBEIRO, H.; BITTENCOURT, J. N. (Orgs). Ética e sustentabilidade. Rio de Janeiro: Engenho & Arte, 2002. p. 99-132.

ZUCHIWSCHI, E.; FANTINI, A. C.; ALVES, A. C.; PERONI, N. Limitações ao uso de espécies fl orestais nativas pode contribuir com a erosão do conhecimento ecológico tradicional e local de agricultores familiares. Acta Botanica Brasilica, Rio de Janeiro, v. 24, n. 1, p. 270-282, 2010.

Publicado
2016-02-11