Pantanal ameaçado: a construção de represas e a insignificância da energia hídrica produzida

Palavras-chave: represas, populações vulneráveis, Bacia do Alto Rio Paraguai, energia

Resumo

Há problemas de grande escala que se manifestam em esferas e situações localizadas. No texto que segue, retrata-se um desses casos, talvez o mais emblemático da atualidade: a Bacia do Alto Rio Paraguai (BAP). Neste presente artigo, será apresentada sua dinâmica e um dos principais problemas relativos à sua sustentabilidade, a barragem de rios para produção de energia. A pesquisa foi construída a partir de bases de dados oficiais, em estreita comunicação com populações locais e referenciamento geocartográfico, e se volta 1) para a desconstrução da falácia da narrativa construída que justifica a exploração do território; 2) para provar que a energia produzida por estes empreendimentos em operação é absolutamente insignificante à manutenção da matriz de produção energética brasileira. Pretende-se, assim, contribuir com dados para que a sociedade civil e especialistas possam instruir-se acerca dos termos de um debate urgente. A pesquisa foi realizada com base na hipótese de que, no processo ainda em curso de ocupação da BAP como território produtor de energia hídrica, a tendência é de que as Usinas Hidrelétricas não contribuam de forma significativa para o painel nacional de produção de energia e, muito menos, para o desenvolvimento local e sustentável dos municípios onde são instaladas

Biografia do Autor

Silvia Cristina Santana Zanatta, Universidade Católica Dom Bosco (UCDB)

Doutorado e mestrado em Desenvolvimento Local pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Especialização em Comunicação: Linguagem, Construção Textual e Literatura pela Libera Limes. Graduação em Jornalismo pela Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (UNIDERP). Pesquisadora na região da Bacia do Rio da Prata ligadas a monitoramento de agências financiadoras do desenvolvimento, conservação ambiental, gestão territorial e comunidades tradicionais. 

Josemar de Campos Maciel, Universidade Católica Dom Bosco (UCDB)

Estágio pós-doutoral em Estudos Culturais pela Universidade de São Paulo (USP). Doutorado em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Mestrado em Psicologia pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (PUG). Graduação em Filosofia pelas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso (FUCMT) e em Teologia pela PUG. Professor de mestrado em Desenvolvimento Local na UCDB.

Referências

AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS [ANA]. Bacias brasileiras do rio da Prata: avaliações e propostas. Brasília: ANA, 2001.

ALBUQUERQUE, Ralph de Medeiros. As pequenas centrais hidrelétricas da bacia do rio Iratim e seus impactos socioambientais: uma reflexão sobre eletroestratégias e acumulação por espoliação. 2013. Monografia (Graduação em Geografia) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, 2013.

ALMEIDA, Alfredo Wagner Berno. Agroestratégias e desterritorialização: direitos territoriais e étnicos na mira dos estrategistas do agronegócio. In: ALMEIDA, Alfredo Wagner Berno. Capitalismo globalizado e recursos territoriais: fronteiras da acumulação no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Lamparina, 2010. p. 101-44.

AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS [ANEEL]. Sistema de Informação de Geração da ANEEL – SIGA. ANEEL, Brasília, 2019. Página inicial. Disponível em:

https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNjc4OGYyYjQtYWM2ZC00YjllLWJlYmEtYzdkNTQ1MTc1NjM2IiwidCI6IjQwZDZmOWI4LWVjYTctNDZhMi05MmQ0LWVhNGU5YzAxNzBlMSIsImMiOjR9 . Acesso em: 21 mar. 2020.

BANDUCCI JR., Álvaro. Turismo cultural e patrimônio: a memória pantaneira no curso do rio Paraguai. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 9, n. 20, p. 117-40, 2003.

BERMANN, Célio; VEIGA, José Roberto Campos; ROCHA, Georges Souto. A repotenciação de usinas hidrelétricas como alternativa para o aumento da oferta de energia no brasil com proteção ambiental. Brasília-DF: WWF, 2004. Disponível em: https://wwfeu.awsassets.panda.org/downloads/repotenciacaouheportugues.pdf. Acesso em: 18 ago. 2021.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente dos Recursos Hídricos e da Amazonia Legal. Plano de conservação da Bacia do Alto Paraguai (Pantanal). 1. ed. Brasília-DF: PNMA, 1997.

DESCARTES, René. O discurso do método. São Paulo: Hemus, 1978. Disponível em: http://public.ebookcentral.proquest.com/choice/publicfullrecord.aspx?p=3157240. Acesso em: 21 mar. 2020.

DESCOLA, Philippe. Outras naturezas, outras culturas. 1. ed. São Paulo: Editora 34, 2016.

ECOLOGIA E AÇÃO [ECOA]. Represas na Bacia do Alto Paraguai (BAP). ArcGIS, [s.l.], 2019. Disponível em https://www.arcgis.com/home/webmap/viewer.html?webmap=ef58538671604b838a9ed5e976b4e82f&extent=-65.0959,-23.684,-43.5627,-13.2819. Acesso em: 20 mar. 2020.

GIRARD, Pierre. Efeito cumulativo das barragens no Pantanal: mobilização para conservação das áreas úmidas do Pantanal e Bacia do Araguaia. Campo Grande: Instituto Centro Vida, 2002.

JUNK, Wolfgang Johannes; BAYLEY, Peter; SPARKS, Richard. The flood pulse concept in river-floodplain systems. In: DODGE, Douglas P. (Org.). Proceedings of the International Large River Symposium (LARS). Ottawa: Department of Fisheries and Oceans, 1989. p. 110-27.

SILVA, Tereza Cardoso. Contribuição da geomorfologia para o conhecimento e valorização do Pantanal. In: SIMPÓSIO SOBRE OS RECURSOS NATURAIS E SOCIOECONÔMICOS DO PANTANAL, 1., UFMS, Corumbá, 1984. Anais [...]. Brasília: EMBRAPA/DDT/CPAP, 1986. p. 77-90.

THE NATURE CONSERVANCY; WWF-BRASIL. Análise de Risco Ecológico da Bacia do Rio Paraguai: Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai. Brasília-DF: The Nature Conservancy do Brasil, 2011.

Publicado
2021-09-15
Como Citar
Santana Zanatta, S. C., & de Campos Maciel, J. (2021). Pantanal ameaçado: a construção de represas e a insignificância da energia hídrica produzida. Interações (Campo Grande), 22(2), 333-348. https://doi.org/10.20435/inter.v22i2.2811