Desafios do modelo de desenvolvimento agrícola do estado de Mato Grosso do Sul: uma proposta para o desenvolvimento sustentável

Palavras-chave: agroecologia, agricultura de precisão, corredores ecológicos, desenvolvimento sustentável

Resumo

Este artigo apresenta uma discussão sobre o atual modelo de desenvolvimento agrícola das terras cultivadas no estado de Mato Grosso do Sul. São discutidas as causas das transformações ambientais e os meios de produção que geram várias implicações sobre povos indígenas, agricultores familiares e biomas já fragilizados, além da questão da saúde humana e da segurança alimentar. Por fim, o artigo apresenta uma proposta, baseada em alternativas ecologicamente corretas, rumo à construção da sustentabilidade ambiental e do bem-estar social do estado de Mato Grosso do Sul.

Biografia do Autor

Everton Castelão Tetila, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

 Doutor em Desenvolvimento Local com pesquisas em Visão Computacional pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Paulista (Unip). Graduado em Ciência da Computação pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems). Professor do magistério superior nos cursos de Engenharia de Computação, Sistemas de Informação e Licenciatura em Computação na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Banco de Dados, Visão Computacional, Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e Web Design. Vencedor do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia, Edição 2018, na categoria pesquisador sênior, com o trabalho “Uma abordagem de aprendizagem profunda para contagem automática de insetos-praga na soja”. Revisor de periódicos internacionais de alto impacto: Sensors (ISSN 1424-8220) e Computer and Electronics in Agriculture (ISSN 0168-1699). Membro da Comissão de Avaliação de Cursos da SED/Fundect.

José Laerte Cecílio Tetila, Assembleia Legislativa do Estado de MS, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil

 Mestre em Geografia Física pela Universidade de São Paulo (USP). Especialista em Geografia Física pela Faculdade Dom Bosco, de Santa Rosa, RS. Graduado em Geografia pela atual Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Em 2011, foi eleito deputado estadual. Na Assembleia Legislativa, atua em defesa dos Direitos Humanos, do meio ambiente, da agricultura familiar, do desenvolvimento sustentável e da população indígena. Presidente da Comissão de Trabalho, Cidadania e Direitos Humanos, foi o autor da lei que criou o Fundo Estadual para Aquisição de Terras Indígenas (Fepati), com a finalidade de captar recursos financeiros para aquisição de terras particulares em áreas indígenas.

Hemerson Pistori, Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil

Pós-doutor pela University of Bristol, Inglaterra, com bolsa CNPq. Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Ciência da Computação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Graduado em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Professor na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Membro do conselho superior da Fundação de Amparo à Pesquisa (FAP) de Mato Grosso do Sul.

Maria Angélica Biroli Ferreira da Silva, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

Doutoranda em Desenvolvimento Local pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Mestre em Estudos Fronteiriços pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campus do Pantanal (UFMS/Cpan). Pós-Graduação Lato Sensu em Direito Processual pela Faculdade Toledo de Ensino de Presidente Prudente, SP. Graduada em Direito pela Faculdade de Direito da Alta Paulista (FAP). Vice-presidente da OAB/MS − 1ª Subseção de Corumbá

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Publicado
2020-09-16