O perfil socioeconômico e a percepção ambiental dos pescadores da Lagoa do Apodi, Rio Grande do Norte, Brasil

Palavras-chave: atividades pesqueiras tradicionais, pesca artesanal e desenvolvimento local, conflitos socioeconômicos e ambientais

Resumo

A pesca é uma das principais atividades desenvolvidas para garantir a alimentação humana, contribuindo para seu desenvolvimento. Entretanto vem enfrentando dificuldades atualmente − especialmente a pesca artesanal, que usa de pouca tecnologia −, além da ganância das grandes corporações pesqueiras. O presente trabalho tem como objetivo descrever a pesca artesanal na Lagoa do Apodi, RN, por meio da descrição do perfil socioeconômico e da percepção ambiental dos pescadores. Como procedimento metodológico, foi realizada uma revisão de literatura; elaboração de questionário semiestruturado, abordando aspectos sobre perfil socioeconômico e percepção ambiental, com aplicação a 52 pescadores, obedecendo ao processo de amostragem de forma aleatória; e tratamento de dados com Microsoft Software Excel 2013. Observou-se que os pescadores apresentam baixa renda e escolaridade, porém esses fatores não influenciaram na percepção ambiental dos indivíduos. Os impactos positivos da atividade pesqueira na lagoa relacionam-se com a geração de renda, a geração de empregos e a produção de alimentos. Evidenciou-se que os pescadores têm consciência dos impactos negativos decorrentes da atividade, como a pesca predatória, que leva à escassez de peixes e até mesmo à alteração da qualidade hídrica. Os principais conflitos para os pescadores relacionam-se com a pesca predatória, a disputa de terra entre pescadores e agricultores e o processo de urbanização com despejo de esgotos. Com os resultados obtidos, detectou-se ausência de políticas públicas que contribuam para o fomento da pesca artesanal voltada ao desenvolvimento local.

Biografia do Autor

Jorge Luís de Oliveira Pinto Filho, Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)

Doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com doutorado-sanduíche na Technische Universität Bergakademie Freiberg, Alemanha. Pós-Doutorado no Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da Universidade de Coimbra (UC) sob orientação de Lúcio Cunha. Professor Adjunto do Departamento de Engenharias e Tecnologia (DETEC), do Centro Multidisciplinar de Pau dos Ferros-(CMPF/UFERSA), e Pesquisador Permanente no Programa de Pós-Graduação em Planejamento e Dinâmicas Territoriais do Semiárido (PLANDITES/UERN).

Samilly Brito Nobre, Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)

Mestranda em Ambiente, Tecnologia e Sociedade Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). Bacharel em Ciência e Tecnologia pela Ufersa, Centro Multidisciplinar de Pau dos Ferros (CMPF).

Manoel Mariano Neto da Silva, Universidade Federal do Semi-Árido (UFERSA)

Doutorando em Engenharia Civil e Ambiental pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Mestre em Planejamento e Dinâmicas Territoriais no Semiárido pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Bacharel em Ciência e Tecnologia; e em Engenharia Ambiental e Sanitária pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA).

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Publicado
2020-10-30