Percepção de agricultura sustentável no município de Maringá, Paraná, Brasil

Palavras-chave: agroecologia, alfabetização agroecológica, produtos orgânicos

Resumo

Em decorrência do aumento populacional, é imprescindível a busca por formas de produção de alimentos em quantidade e que assegurem a qualidade e os cuidados ao meio ambiente. Nesta perspectiva, a produção agroecológica, incluindo a produção de orgânicos, surge como alternativa de sistemas sustentáveis de produção de alimentos. Contudo, muitos produtores e consumidores desconhecem estes modos de produção e seus benefícios relacionados, sobretudo, à saúde e ao meio ambiente. Desta forma, o objetivo desta pesquisa foi avaliar o grau de conhecimento de indivíduos participantes de um evento agrário e de uma feira do produtor, sobre os conceitos de produção e produtos convencionais, agroecológicos e orgânicos, a fim de revelar suas percepções sobre estes assuntos. Este estudo exploratório e transversal baseou-se na aplicação de questionário elaborado e validado. Os resultados mostraram que a maioria dos pesquisados é jovem ou adulto jovem, das classes sociais B e C, residente na zona urbana. Observaram-se diferenças quanto ao sexo e grau de escolaridade entre os grupos, sendo que, na feira do produtor a maioria dos entrevistados era do sexo feminino e com menor grau de escolaridade. Apesar dos resultados médios satisfatórios, foram evidenciadas lacunas do conhecimento ou percepções equivocadas sobre o assunto. Portanto, a fim de complementar e ajustar o conhecimento da comunidade sobre estes temas, considera-se imperativo que ações que fomentem a educação ambiental, ecológica e a alfabetização agroecológica sejam estimuladas, a fim de divulgar as características de um produto orgânico, suas formas de cultivo, incluindo os benefícios ambientais e suas restrições no cultivo, e, principalmente, propagar os benefícios à saúde proporcionados pelo consumo destes alimentos.

Biografia do Autor

Natália Christina da Silva Matos, Centro Universitário de Maringá (UNICESUMAR)

Mestre em Tecnologias Limpas pelo Centro Universitário de Maringá (UNICESUMAR). Tecnóloga em Agronegócio. Assistente de cursos EAD no Centro Universitário Cidade Verde (UniFCV).

Márcia Aparecida Andreazzi, Centro Universitário de Maringá (UNICESUMAR)

Pós-doutora pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Doutora em Produção Animal pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Mestre em Biologia Celular pela UEM. Zootecnista. Coordenadora e docente do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Limpas do Centro de Ensino Superior de Maringá (UNICESUMAR). Docente do Curso de Medicina Veterinária do UNICESUMAR

Maria de Los Angeles Perez Lizama, Centro Universitário de Maringá (UNICESUMAR)

Doutora e mestre em Ecologia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).  Bióloga. Docente do curso de Medicina Veterinária e do Programa de Mestrado em Tecnologias Limpas do Centro Universitário de Maringá (UNICESUMAR). Pesquisadora ICETI/UNICESUMAR.

Arthur Gualberto Bacelar da Cruz Urpia, Centro Universitário de Maringá (UNICESUMAR)

Doutor e mestre em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Docente do curso de Administração e de Economia, e do Mestrado em Gestão do Conhecimento no Centro Universitário de Maringá (UNICESUMAR). Economista. Pesquisador ICETI/UNICESUMAR.

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Publicado
2021-06-02