Modelo interdisciplinar para análise teórica da ação da escola na promoção do desenvolvimento à escala humana

Palavras-chave: educação, políticas públicas, projeto educativo, relações ecológicas

Resumo

O presente artigo pressupõe a relação ecológica e interdisciplinar entre escola e desenvolvimento e apresenta um modelo teórico, denominado MIATAE, para estudá-la. Identifica elementos de convergência entre as teorias do Desenvolvimento à Escala Humana, a Perspectiva Freireana de Educação e a Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano. O trabalho baseou-se no método dialético, com natureza analítica e abordagem qualitativa. Utilizou técnica de revisão narrativa de literatura, com análise apoiada em critérios de caráter histórico, teórico e metodológico. O MIATAE é composto por três polos com as funções axiológica, ontológica e topológica, exercidas, respectivamente, pelas teorias admitidas. Também possui uma morfologia entre elas que prospecta quatro relações teóricas interdisciplinares, diante do objeto de interesse de análise representado por um núcleo. Conclui que uma destas, a Relação Interdisciplinar Completa, revela uma nova síntese teórica sobre a ação da escola na promoção do Desenvolvimento à Escala Humana, que amplia as possibilidades de compreensão de sua interdisciplinaridade. Essa relação também transcende o enfoque particular de cada teoria admitida, conservando a epistemologia disciplinar potencializada a essa análise. Admitidos os limites do presente trabalho, o MIATAE possibilita à escola evidenciar e sustentar teoricamente o propósito, o conteúdo e a estratégia de sua ação na direção do Desenvolvimento à Escala Humana, de maneira interdisciplinar estruturada.

Biografia do Autor

Claudio Roberto Stacheira, Universidade Estadual de Goiás - UEG. Instituto de Ciências Tecnológicas. Departamento de Sistemas de Informação.

Doutor em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília (UnB) − área de concentração: desenvolvimento e avaliação de políticas públicas. Mestre em Gestão do Conhecimento e da Tecnologia da Informação e especialista em Gestão de Projetos pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Líder do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento e Tecnologias Aplicadas (GEDETEC/UEG). Instrutor da Escola de Governo do Estado de Goiás. Perfil e experiência interdisciplinar nas áreas acadêmica e de mercado. É consultor, pesquisa e leciona nas seguintes áreas: planejamento e desenvolvimento institucional; engenharia e gestão do conhecimento; gestão de organizações do conhecimento; desenvolvimento regional; gestão de projetos; gestão pública; políticas públicas; planejamento baseado em cenários prospectivos; sistemas de informações gerenciais; indicadores, estratégia e gestão.

Ana Maria Nogales Vasconcelos, Universidade de Brasília - UnB. Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional.

Doutorado em Demografia pela Université Catholique de Louvain, em 2001. Atualmente, é professora do Departamento de Estatística e professora do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional (PPGDSCI/CEAM/UNB). Foi diretora de Estudos e Políticas Sociais (DIPOS) da CODEPLAN/GDF (2016-2018) e vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP), 2017-2018. Atualmente, é coordenadora do Laboratório de População e Desenvolvimento com projetos na área da saúde e vulnerabilidade social, vinculado ao Núcleo de Estudos Urbanos e Regionais (NEUR/CEAM) da Universidade de Brasília. Tem orientado e coorientado teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de iniciação científica e trabalhos de conclusão de curso nas áreas de probabilidade e estatística, população, saúde coletiva e estatística aplicada. Atua na área de demografia e estatística aplicada. Em seu currículo Lattes, os termos mais frequentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: mortalidade, causas de morte, análise de correspondência, ensino de estatística, mortalidade infantil, violência, migração, projeções de população, crescimento demográfico, indicadores, educação e juventude.

Neusa Maria Ravaroto, Universidade Estadual de Goiás - UEG.

Mestre em Administração pelo Centro Universitário Alves Faria (UNIALFA). Especialista em Gestão de Projetos pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e em Concessões e Parcerias na Administração Pública pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). Analista governamental na Universidade Estadual de Goiás (UEG) e pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento e Tecnologias Aplicadas  (GEDETEC/UEG). Desde o ano de 2015, é gerente de Convênios e Captação de Recursos da UEG. Possui experiência acadêmica e profissional nas áreas de estratégia e gestão, gestão pública, gestão de projetos, gestão de convênios e captação de recursos no setor público e em organizações da sociedade civil, desenvolvimento regional, desenvolvimento sustentável, políticas públicas, redes de cooperação entre setor empresarial X governo X universidade e inovação social.

Leides Barroso Azevedo Moura, Universidade de Brasília - UnB. Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional.

Graduação em Enfermagem pela Universidade Federal de Mato Grosso (1988), licença registrada (RN) pelo New York Board of Education, nos Estados Unidos (2000-2019). Pós-doutora pela University College London (2014). Doutorado em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (2009). Mestrado em Ciências da Enfermagem pela Western Connecticut State University, nos Estados Unidos (2001). Enfermeira de Saúde Pública do Departamento de Saúde de Nova York por seis anos. Professora associada da Universidade de Brasília. Licença internacional de Consultora em Lactação Humana (International Board of Lactation Consultant, 2005). Atuação nas seguintes áreas: saúde, território e determinantes sociais, políticas públicas, violências, curso de vida, saúde, educação e desigualdades, segurança alimentar e nutricional, envelhecimento e qualidade de vida, universidade promotora de saúde. 

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Publicado
2020-01-28