Ação coletiva e políticas públicas: mulheres camponesas na construção da Política de Saúde das Populações do Campo, da Floresta e das Águas

Palavras-chave: movimento social, mulheres camponesas, saúde pública, política pública

Resumo

Este artigo analisa a atuação do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) no processo de construção da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas (PNSIPCFA). Configura-se como um estudo de abordagem qualitativa, embasado no reconhecimento e na valorização das ações coletivas desse grupo social na área da saúde pública. As técnicas de coleta de dados consistiram na realização de observação participante, entrevista exploratória e grupo focal. A partir dos achados empíricos e com base no conceito de ação coletiva em Alberto Melucci, considera-se que as ações dos movimentos sociais influenciam a construção da política pública e a produção da realidade social, pois os resultados evidenciam o protagonismo do MMC em espaços representativos de planejamento, elaboração e avaliação de políticas públicas, como o Grupo da Terra, o observatório de acompanhamento e avaliação da referida política e os conselhos municipais de saúde. O MMC realiza ações de enfrentamento, resistência e pressão no Estado por meio de marchas, caminhadas e atos públicos, em parceria com outras organizações, em defesa da saúde pública e efetivação da PNSIPCFA. Também é protagonista no que se refere a ações de formação/capacitação junto ao Movimento para a disseminação e compreensão do conteúdo da Política.

Biografia do Autor

Andressa Bertoncello, Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó)

Mestre em Políticas Sociais e Dinâmicas Regionais pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó). Especialista em Psicologia Social pela Unochapecó, e em Saúde Coletiva  pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).

Rosana Maria Badalotti, Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó)

Doutora em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mestre em Antropologia Social e membro da Rede Ibero-Americana de Estudos em Desenvolvimento Territorial e Governança (Redeteg). Cientista social.

Maria Elisabeth Kleba, Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó)

Doutora em Filosofia pela Universidade de Bremen (Uni Bremen). Mestre em Enfermagem e Enfermeira pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Educadora e assessora na área da saúde e de políticas públicas.

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Publicado
2020-09-16