A análise da comercialização institucional da agricultura familiar via Pnae no Território Rural Médio Araguaia, Goiás: possibilidades e limites da abordagem da nova economia institucional

Palavras-chave: agricultores familiares, Pnae, Nova Economia Institucional

Resumo

Sob o enfoque das teorias da Nova Economia Institucional (NEI), o presente trabalho tem por objetivo verificar a inserção comercial da agricultura familiar no Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), no Território Rural Médio Araguaia, Goiás (GO), com a finalidade de se compreender até que ponto a NEI é útil para se entender as questões e peculiaridades que envolvem os agricultores familiares. Por meio do método dialético, da pesquisa bibliográfica e dos dados obtidos a partir da porcentagem de aquisição da agricultura familiar via Pnae dos 21 (vinte e um) municípios do Território Médio Araguaia, GO, através das sedes das subsecretarias estaduais de educação nos municípios de Iporá, Piranhas e Jussara, nos anos de 2014 e 2015, foi possível verificar o comportamento dos agentes e dos agricultores envolvidos no Pnae, demonstrando como a racionalidade limitada e o oportunismo dos agentes, a assimetria de informação entre e dentro das organizações, os custos de transação, a especificidade dos ativos, os contratos e a estrutura de governança podem ajudar a compreender e explicar os processos econômicos dos agricultores familiares. Assim, verificou-se que as políticas públicas de assessoria às organizações da agricultura familiar, como o Núcleo de Extensão em Desenvolvimento Territorial (Nedet), são importantes para a efetivação da inclusão produtiva dos agricultores familiares, podendo ainda problematizar as transações com uma maior precisão ao analisá-las com foco na teoria sustentada pela NEI, embora a lógica produtiva dos agricultores familiares não se concentre apenas no viés econômico.

Biografia do Autor

Fernanda Chaveiro da Silva, Universidade Federal de Goiás, Escola de Agronomia, Goiânia, Goiás, Brasil.

Doutoranda e Mestre em Agronegócio pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Especialista em Direito Civil e Empresarial, e graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). Desenvolve trabalhos sobre o sistema jurídico e a atividade agropecuária, sustentabilidade, meio ambiente, direito agrário.

Thiago de Carvalho Verano, Universidade Federal de Goiás (UFG)

Mestrando em Agronegócio pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Especialista em Agricultura Familiar Camponesa e Educação do Campo e graduado em Agronomia pela UFG. Experiência profissional na área de extensão em comunidades camponesas e organizações de agricultores com foco em agroecologia, políticas públicas e canais de comercialização da agricultura familiar camponesa.

Cleyzer Adrian da Cunha, Universidade Federal de Goiás (UFG)

Pós-doutor em Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Mestre em Economia Aplicada pela UFV. Graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Goiás). Professor associado de Teoria Econômica na Universidade Federal de Goiás (UFG).

Alcido Eleonor Wander, Universidade Federal de Goiás (UFG)

Doutor em Ciências Agrárias (Concentração: Economia Agrícola) pela Georg August Universität Göttingen, Alemanha. Mestre em Ciências Agrárias dos Trópicos e Subtrópicos pela Georg August Universität Göttingen. Graduado em Agronomia pela Universidade de Kassel, Alemanha. Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), professor dos Programas de Pós-Graduação em Agronegócio da Universidade Federal de Goiás (UFG).

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Publicado
2020-10-30