Assentamentos rurais e relações de interdependência: ambiguidades no reconhecimento dos assentados na região estancieira do Rio Grande do Sul

Palavras-chave: reforma agrária, sem-terra, estigma, conflito, poder.

Resumo

O objetivo deste artigo é entender como os assentados e os sem-terra são representados pelos antigos moradores de um município da região estancieira do Rio Grande do Sul. A partir de uma abordagem etnográfica, atenta-se para a sociodinâmica da estigmatização. Com os resultados, verificou-se a transição de um primeiro momento, no qual se estabeleceu uma vinculação tensa e de oposição à política de assentamentos rurais, para um segundo, em que os antigos moradores alcançam uma posição mais amena e ambígua de relação e de qualificação das populações assentadas.

Biografia do Autor

Francis Casagranda Zanella, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Doutorando em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, CPDA/UFRRJ. Mestre em Extensão Rural pela Universidade Federal de Santa Maria, PPGExR/UFSM. Graduado em Gestão Ambiental pela Universidade Federal do Pampa/Unipampa.
Marcos Botton Piccin, Universidade Federal de Santa Maria
Professor Adjunto da Universidade Federal de Santa Maria/Departamento de Educação Agrícola e Extensão Rural. Doutor em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas/Unicamp. Mestre em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, CPDA/UFRRJ. Graduado em medicina veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria/UFSM. 

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Publicado
2019-11-05