Conhecimento etnobotânico dos Tremembé da Barra do Mundaú sobre as frutas da sociobiodiversidade

Palavras-chave: Frutas, etnobotânica, formas de uso

Resumo

A pesquisa objetivou identificar as frutas nativas do território dos Tremembé da Barra do Mundaú e seu valor cultural. Adotou-se a etnografia, envolvendo diário de campo, entrevistas e observação participante. As principais formas de uso foram alimentares, artesanais, medicinais e ritualísticas, mostrando que a relevância das frutas vai além do aspecto nutricional, estando associada ao conhecimento tradicional com várias de suas práticas culturais e identitárias

Biografia do Autor

André Luís Aires Pinto, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (2003) e mestrado em Sociobiodiversidade e Tecnologias Sustentáveis pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (2016). Atuou como consultor da AGENDHA para o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Tem experiência na área de Sociologia e Antropologia, atuando principalmente nos seguintes temas: sociobiodiversidade, etnobotânica, índios tremembé, agricultura familiar e economia solidária.
Francisca Joseli Freitas de Sousa, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Graduanda em Agronomia pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira.
Maria do Socorro Moura Rufino, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Graduada em Agronomia pelo CCA/UFPI (2001), Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Utilização sustentável dos recursos naturais) pela UFPI (2004), Doutora em Fitotecnia (Bioquímica, Fisiologia e Tecnologia Pós-Colheita) pela UFERSA incluindo Estágio Doutorando no Exterior em Bioquímica da Nutrição no Dept. de Metabolismo e Nutrição (ICTAN/CSIC), da Espanha (2008). Pós-doutorado em Ciência e Tecnologia de Alimentos (PNPD/Capes/UFC, 2010/2011). Em 2010 foi reconhecida com o Prêmio Capes de Tese/2009, na área de Ciências Agrárias, PPGF/UFERSA 2008. Atua desde a graduação na área de alimentos participando do desenvolvimento de estudos com ênfase à caracterização de frutas tradicionais e não tradicionais (nativas e exóticas) de interesse para a agroindústria, compreendendo os aspectos de qualidade e potencial de utilização para consumo in natura e agroindustrial, bem como avaliando as propriedades funcionais das mesmas, tais como: compostos bioativos, atividade antioxidante, fibra dietética antioxidante, perfil de ácidos graxos e análise de compostos polifenólicos. Desde 2002, vem se dedicando ao ensino do magistério superior, iniciando suas atividades como professora da Universidade Estadual do Piauí, atuando nas áreas de Bioquímica, Química, Vigilância Sanitária e Toxicologia. Participa(ou) como membro e/ou coordenador de vários projetos e redes em âmbitos nacional e internacional, com ênfase a agregação de valor a matérias-primas alimentares. Desde janeiro de 2012 é Professora Efetiva da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), lotada no Instituto de Desenvolvimento Rural/Curso de Agronomia na área de Bioquímica e Tecnologia do Processamento de Produtos Agropecuários. Participou de 2012 a 2014 na gestão da Universidade assumindo Cargos de Direção, dentre eles a Coordenação de Pesquisa e Pós-graduação, Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão e Pró-Reitoria de Relações Institucionais. Atualmente participa como professora do quadro permanente do Mestrado Acadêmico em Sociobiodiversidade e Tecnologias Sustentáveis (UNILAB).

Referências

ALBUQUERQUE, U. P. Introdução à etnobiologia. Recife: NUPEEA, 2014.

BARTH, F. Os grupos étnicos e suas fronteiras. In: BARTH, F. O guru, o iniciador e outras variações antropológicas. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2000. p. 25-68.

BRAGA, R. Plantas do Nordeste, especialmente do Ceará. 4. ed. Natal: UFRN, 1976.

CASTRO, J. Geografia da fome. 10. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.

COELHO, M. F. B.; COSTA JUNIOR , P.; DOMBROSKI, J. L. D. Diversos olhares em etnobiologia, etnoecologia e plantas medicinais. In: SEMINÁRIO MATO-GROSSENSE DE ETNOBIOLOGIA E ETNOECOLOGIA, 1.; SEMINÁRIO CENTRO-OESTE DE PLANTAS MEDICINAIS, 2. Anais... Cuiabá: Unicen, 2003.

CORRÊA, M. P. Dicionário das plantas úteis do Brasil. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, 1974. v. 5, p. 264-9.

DIEGUES, A. C. (Org.). Os saberes tradicionais e a biodiversidade no Brasil. São Paulo: Ministério do Meio Ambiente/COBIO/NUPAB, 1999.

FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.

FRANCO, C. T. S. Resumo do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Tremembé da Barra do Mundaú. Diário Oficial da União, n. 26, seção 1, p. 22-23. Brasília, segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012.

GEERTZ, C. A interpretação das culturas. São Paulo: LCT, 1989.

INGOLD, T. Diálogos vagueiros: vida, movimento e Antropologia. Entrevista concedida a Ana Letícia Fiori et al. Ponto Urbe. Revista do Núcleo de Antropologia Urbana da USP, São Paulo, n. 11, 2012.

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. 5. ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008. v. 1.

LOURENÇO, I. P. Potencial de utilização de frutos de genótipos de muricizeiros cultivados no litoral do Ceará. 2008. 83f. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza, 2008.

OLIVEIRA, J. P. Uma etnologia dos “índios misturados”? Situação colonial, territorialização e fluxos culturais. In: OLIVEIRA, J. P. (Org.). A viagem da volta: etnicidade, política e reelaboração cultural no Nordeste indígena. Rio de Janeiro: Contra Capa, 1999. p. 11-39.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A ALIMENTAÇÃO E A AGRICULTURA (FAO). La biodiversidad: un freno a la inseguridad alimentaria mundial. Conferência mundial sobre la diversidad biológica en Bonn. 2008. Disponível em: http://www.fao.org/Newsroom/es/news/2008/1000841/index.html. Acesso em: 20 jun. 2016.

PEREIRA, J. O. P. O papel de abelhas do gênero Centris na polinização e sucesso reprodutivo do muricizeiro (Byrsonima crassifolia, L.). 2001. 59f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza, 2001.

RENHE, I. R. T. et al. Obtenção de corante natural azul extraído de frutos de jenipapo. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 44, n. 6, p. 649-52, jun. 2009.

RUFINO, M. S. M. Qualidade e potencial de utilização de cajuís (Anacardium spp.) oriundos da vegetação litorânea do Piauí. 2004. 92f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente) - Universidade Federal do Piauí (UFPI), Teresina, PI, 2004.

SANTILLI, J. Socioambientalismo e novos direitos: proteção jurídica à diversidade biológica e cultural. São Paulo: Petrópolis, 2005.

SANTOS, B. S.; MENESES, M. P. G.; NUNES, J. A. Para ampliar o cânone da ciência: a diversidade epistemológica do mundo. In: SANTOS, Boaventura de Sousa (Org.). Semear outras soluções: os caminhos da biodiversidade e dos conhecimentos rivais. Porto, Portugal: Afrontamento, 2005. p. 19-101.

TARDÍO, J. Alimentos silvestres: la despensa más natural y nutritiva. IMIDRA – Instituto Madrieño de Investigación y Desarrollo Rural Agrário e Alimentario. Ambienta, n. 95, p. 36-49, jun. 2011. Disponível em: http://www.mapama.gob.es/ministerio/pags/Biblioteca/Revistas/pdf_AM%2FAmbienta_2011_95_36_49.pdf.

Publicado
2019-03-21