Resumo
Este artigo analisa as práticas de três benzedeiras do município de Pato Branco, buscando compreender como seus saberes e fazeres se constroem em diálogo com plantas medicinais, espiritualidades e relações multiespécies. A pesquisa parte de uma abordagem qualitativa, fundamentada na escuta sensível e na observação atenta, para revelar como a cura é vivida para além da medicina convencional, envolvendo corpo, mente e espírito. As experiências das benzedeiras evidenciam resistências ao apagamento de saberes tradicionais, sobretudo frente às pressões do agronegócio, da monocultura e do uso de agrotóxicos, que impactam diretamente os quintais e a disponibilidade das plantas de cura. Ao mesmo tempo, mostram-se como guardiãs de práticas que articulam memória, espiritualidade, cuidado comunitário e agência das plantas e demais seres não humanos. Dialogando com autoras como Stengers, Haraway, Tsing e Shiva, o estudo reforça a importância de reconhecer epistemologias locais, multiespécies e espirituais como alternativas à lógica hegemônica de conhecimento e cuidado. Assim, a investigação contribui para o debate sobre a valorização dos saberes tradicionais, a preservação da biodiversidade e a construção de futuros possíveis em territórios ameaçados por forças coloniais e capitalistas.
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