Resumo
A vulnerabilidade social nos assentamentos rurais brasileiros é um fenômeno complexo, caracterizado pela precariedade na infraestrutura básica, pelas dificuldades no acesso à água potável e pelas limitações no escoamento da produção agrícola. Este estudo analisa dois assentamentos no estado de Mato Grosso do Sul, com ênfase nas condições de produção agroecológica e desigualdades socioeconômicas. A pesquisa, fundamentada na história oral, investiga a influência das políticas públicas no bem-estar dessas comunidades, considerando a Economia Popular Solidária como estratégia para mitigar a marginalização socioeconômica e questionar modelos hegemônicos de desenvolvimento. A ausência de investimentos estruturais compromete a autonomia produtiva e dificulta a inserção dessas comunidades no mercado formal. Nesse contexto, a tecnociência solidária surge como uma abordagem transformadora, permitindo a valorização dos saberes locais e o fortalecimento da autogestão produtiva. O estudo baseia-se nos conceitos de Celso Furtado sobre o “mito do desenvolvimento econômico”, além das contribuições de Milton Santos, Karl Polanyi, Paul Singer e Renato Dagnino. Os achados indicam que iniciativas coletivas e inovações sociotécnicas podem favorecer a emancipação dos assentamentos. Contudo, políticas públicas eficazes são essenciais para garantir infraestrutura, acesso a mercados e suporte técnico, e, por meio dessa integração, torna-se possível a promoção de um desenvolvimento sustentável e equitativo.
Referências
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